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REPORTAGEM – Dia 06 – Noite dos Reis da Bazuuca: chegou na hora certa e no momento certo

“Oooh! Que fofos!” dissera nunca ninguém sobre os Vai-te Foder. No entanto aqui estou eu a fazê-lo, enquanto vejo as regras de entrada no Lustre a serem colocadas a meia haste para a Noite dos Reis da Bazuuca – o primeiro abalo cultural do ano e, pela primeira vez, em dose dupla.

Na entrada do recinto encontrei o palco Salão Mozart e a maravilhosa Inês Malheiro a darem as boas-vindas à casa. Com um trabalho fresquinho e pronto a ser ouvido pelos mais sonhadores, levou-me até a um imaginário onde a voz é algodão doce e as sonoridades me prepararam o coração para a noite que se seguia. Senti a programação deste dia especialmente pensada para atrair os mais suspeitos sobre se uma Noite dos Reis da Bazuuca, em dose dupla, funcionaria. Amigos, a verdade é que assim que entrei, soube exatamente que sim. Estávamos todos em casa.

Em passo rápido e sem demoras na, já mítica, sala dos espelhos do Lustre encontrei o palco Bazuuca, montado no centro da sala e, lá em cima, todo um esquadrão de personagens que esperavam ansiosamente por uma sala composta de meros seres humanos. Nancy Spungen X rebentaram com toda a calma que eu poderia ter trazido da apresentação anterior. Num misto de saltos, batidas (vou-lhes chamar…) funkótimas, num punk dançável e vocais que me levaram muitas vezes para uma estranha mix da qual batizei Mike Patton meets Zach de La Rocha (nome em construção), desafiaram todos a se movimentarem no círculo que foram criando. Só me vinha à cabeça o seguinte: a Bazuuca conseguira tirar, literalmente, toda a gente de casa e colocá-los a cantar e a dançar no coração da cidade – que sentimento bonito de se presenciar.

Após aquele furacão de emoções nada previa o mergulho que iria dar em Vanished Into Nowhere. O Márcio já era conhecido da casa, através de outros projetos, mas de repente foi como se eu tivesse ficado imersa numa trilha de pensamentos e emoções para além daquilo que me segurava os pés ao chão. “Blade Runner vibes calling…” quase que se via a vibrar no meu telemóvel.

Ainda perdida no corredor central, ouvi uns estardalhaços a surgir do palco Bazuuca. Sem reis, sem rock, sem mirra, sem sopas… os Vai-te Foder arrancavam com mais um explosivo set! “Já ouviram as últimas notícias sobre a inflação? Pois bem, a próxima chama-se “Pobreza”!”. Nascidos, criados e com a vida feita na rebelião das ruas bracarenses, os Vai-te Foder souberam trilhar todo o seu caminho envoltos num turbilhão de batidas que nos empurravam até ao chão, ao poço. Desde o metal ao punk e com letras a rasgar nos bolsos dos que corrompem a sociedade. Foi um set de cerca de 30 minutos que teve de ser travado para dar espaço a outros. “Só mais uma! Só mais 1 minuto Joãozinho Bazuuca!”, ouvia-se. Muita coisa ficou por dizer, estou certa disso.

Na onda da lei das ruas e daquilo a que todos temos direito a opinar sobre – encontro um Ângela Polícia a entregar talvez o que de melhor se faz no mundo do hip hop por estes lados. Um concerto que prendeu a atenção de quem já tinha saudades de ver o Ferna num palco e que nos chamou à pista de dança para ouvir todas as histórias que tinha para nos contar. Só me falou gritar “obrigada por estares de volta” e, os que me rodeavam, “que bom é ter-te cá”.

A verdade é que quando entrei no Lustre o meu propósito era apenas um…escalar a noite até ao reencontro de uma das bandas da minha adolescência: os Smix Smox Smux. Talvez tudo fosse uma preview do que se iria seguir, no entanto qual não é o meu espanto e sorriso de régua e esquadro quando vejo aquelas três personagens a entrarem em palco vestidos à medida da noite: Reis Magos! Até agora, no decorrer da escrita deste artigo, sinto que nunca tinha dado uma gargalhada tão espontânea e rápida quanto a que me saiu durante estes segundos de mudança de palco. Os Smix Smox Smux são muito queridos por quem vive em Braga e não só. São uma banda que funciona, que diverte num pop rock gingão, que se apresenta ao público com uma energia e espontaneidade que talvez se tenham desvanecido ao longo dos anos com as novas gerações e projetos, contudo, ainda bem que por cá continuei. Pude rever isso e tirar alguns singles que estavam guardados numa daquelas gavetas da mente que eu pensaria nunca ter de abrir novamente, contudo, desta feita, abri e só boas memórias me surgiram.

A primeira Noite dos Reis da Bazuuca acabou com um after hours presenteado pela wav.in, um coletivo de artistas que tem ganho cada vez mais espaço na cidade e que espero que avancem e bem para um futuro brilhante com os próximos projetos que têm pensado.

Voltei para casa feliz com a certeza de que nada no dia seguinte podia falhar.

Texto por: Teresa Montez

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