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uma série de emoções, um novembro cinzento e um “alla” da Surma – estou bem!

Lembro-me de ser relativamente mais nova, talvez a viver os meus dez ou onze anos e de já ter a certeza de que a exposição emocional pública seria algo que um médico me prescreveria, mas que, definitivamente, eu nunca iria tomar.

Sempre me fez mais sentido deixar o tempo curar, correr e, nos entretantos, viver com o que de melhor conseguia tirar da minha rotina. Curando, vivendo, mas nunca me deixando ser vulgarmente vulnerável à realidade – eu, confrontos e discursos públicos, nunca nos demos muito bem. 

Quando esta capacidade de exposição se transpõe para o mundo artístico – seja ele musical, visual ou plástico – parece algo que, na minha cabeça, não faz sentido nenhum passar para o presente e é neste ponto que as Déboras desta vida se destacam, se transformam em Surma e me brindam com “alla” – confrontando-me com emoções há muito guardadas, numa caixinha, na parte de trás da cabeça.

Penso que é a primeira vez que dou os meus dois centavos de palavras a um disco, utilizando a primeira pessoa, mas a bagagem que “alla” transporta é maior do que um mero livro de “regras jornalísticas” e hoje, depois das várias escutas, quebro-as todas. É um disco que bebe do surreal, que nos entrega um trabalho amadurecido, pensado ao detalhe e uma Surma que sabe o que quer.  Após o single de avanço, “Islet”, ter chegado a público, foi fácil deduzir que algo grandioso se avizinhava e aqui está a prova – “alla” junta tudo o que somos enquanto seres humanos, ao longo de 45 minutos e ainda convida amigos para tornar as histórias inesquecíveis.

Nyanyana”, “Tous le nuages” e “Biyelka” foram, talvez, os temas que mais captaram a minha atenção, mas nunca é demais referir que este disco deverá e se recomenda ser ouvido num todo para que se possa degustar cada vibração sonora.

Por cá, continuarei a estar atenta ao trabalho da Surma. Espero que dure muitos anos e só posso desejar que o futuro seja ainda mais brilhante do que o que está a acontecer.

texto por: Teresa Montez

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