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Space Festival – de volta à base em 2022

O Space Festival é um evento itinerante que decorre entre os dias 3 e 26 de novembro em Paredes de Coura, Ponte de Lima, Montemor-o-Velho, Monção e Caminha.

Projetado para territórios de baixa densidade e para localidades de pequena e média dimensão, o Space Festival pretende explorar novas formas de divulgação da música experimental e improvisada feita em Portugal.

Nesta edição, reunimos alguns ingredientes fundamentais para uma conversa sobre o conceito e programação do evento em 2022 – uma edição que promete ser única.

Olá. Antes de mais: muito obrigado por estes minutos de conversa. Com a proximidade do início desta edição, não deve ser fácil.
Space Festival: Obrigada nós pelo vosso convite e interesse no Space Festival. É verdade, a próxima edição começa já no dia 3 de novembro e tem sido muito desafiante. Por ser um festival itinerante, que decorre de 3 a 26 de novembro (1 mês quase completo), em 5 localidades diferentes (Paredes de Coura, Ponte de Lima, Montemor-o-Velho, Monção e Caminh), é uma logística bastante complexa, mas acreditamos que vai valer muito a pena.

Como é que surgiu o Space Festival e porquê?
Space Festival: Na verdade, o Space Festival não é um festival novo, apesar de em 2021 ter assumido um novo foco. Surgiu em 1999, em Coimbra, promovido pela Associação Cultural Rock’n’Cave. Inicialmente surgiu como uma mostra de concertos com o objetivo de ser uma plataforma para a colaboração entre músicos e amantes desta área (profissionais ou não). Na altura não se falava tanto de música experimental/exploratória e improvisada, então foi um evento pioneiro, que pretendia divulgar este género de música, possibilitado pelas novas tecnologias digitais. Foram programados nomes como Oh!Malone, zzzzzzzzzzzzzzzzzp!, Albrecht Loops, Gustavo Costa, Rodrigo Pinheiro, Jorge Queijo, Jorge Coelho, Luís Salgado, Jonathan Saldanha, entre outros. Alguns destes nomes vão-se repetindo nas edições mais recentes, que é algo que gostamos: manter a ligação com as origens do festival e possibilitar um encontro entre diferentes gerações de artistas e público. Foi nessas primeiras edições que surgiu o Space Ensemble, através da exploração de sinergias entre diversos músicos que ainda hoje colaboram nesta formação musical mutante (que é atualmente uma estrutura de criação), que coorganiza o festival com a Associação Cultural Rock‘n’Cave, assumindo uma parte importante na escolha da programação. O festival passou por um período em que não se realizou entre 2005 e 2021, regressando no ano passado com o conceito atual: divulgar a música experimental e improvisada em territórios de baixa densidade. No fundo, o Space Festival tornou-se um evento anual em que pretendemos celebrar encontros entre músicos, públicos diversos e as novas criações que podem surgir desses encontros.

Com um conceito focado em territórios de baixa densidade, qual é que pensam ser o ingrediente base para suscitar o interesse do público?
Space Festival: Consideramos que o ingrediente base é a forma como abordamos este género musical na nossa programação. Achamos que a música experimental e improvisada é muitas vezes olhada como algo que é para um público muito específico, contudo o Space Ensemble (encarregue da coprodução e programação) tem desenvolvido a sua criação artística e trabalho de serviço educativo em torno das possibilidades deste género musical e os resultados são muito positivos. A música improvisada tem algo ótimo, que é: através de regras simples e metodologias não-formais, podemos fazer um workshop deste género de música para pessoas que não são profissionais, ou que nunca pegaram num instrumento, ou para pessoas que já estão no mundo da música, mas sempre muito limitadas por regras formais. Podemos também fazê-lo recorrendo aos objetos mais criativos para fazer música, sem ser instrumentos convencionais. Acreditamos que a música experimental e improvisada não tem de ser algo inacessível, mas sim uma oportunidade de olhar para a música de outra forma. Este ano, para desenvolver um trabalho de maior proximidade com potenciais públicos, está a ser preparado um espetáculo com a comunidade no âmbito do festival (Minho Coura Lima), que inclui alguns grupos musicais de Paredes de Coura, Monção e Ponte de Lima, onde são usados métodos como a improvisação livre, a improvisação dirigida, entre outras. Em Paredes de Coura, Montemor-o-Velho e Caminha, há também espetáculos inseridos no serviço educativo do festival, adaptados aos grupos escolares e institucionais que vamos receber, onde há uma abordagem mais didática durante os concertos, dando oportunidade aos participantes de fazer perguntas e experimentar instrumentos. 

É fácil selecionar um cartaz tão bom como o deste ano ou, pelo contrário, exige muita ambição e determinação na escolha dos artistas?
Space Festival: Programar não é fácil. Temos de ter em consideração não apenas as nossas expectativas de qualidade, mas também o que poderá ser mais interessante para o público. Queremos que o concerto seja tão interessante para uma pessoa que é fã dos artistas, como para quem vai um pouco à experiência. As sessões de dois concertos são um bom exemplo desse esforço: tentámos juntar artistas muito distintos nestas sessões (onde 1 bilhete dá acesso a dois concertos), para que as pessoas possam ter, na mesma noite, experiências diferentes e que percebam as possibilidades deste género musical. Há muitos artistas com influências de outros géneros musicais (clássico, rock, jazz), o que acaba por diversificar muito o que podemos ouvir no festival. É muito importante para nós garantir que os bilhetes são acessíveis, por isso as sessões de dois concertos custam 5 euros cada, e há também passes por localidade e um passe geral, em que o preço de cada concerto fica ainda mais em conta. E sobre esses preços, ainda há alguns descontos. Esperamos que não haja razão para faltarem. 

Têm alguma história caricata, que vos tenha ficado na memória, de alguma das edições do festival
Space Festival: A Catarina Machado que faz parte da Associação Cultural Rock’n’Cave e acompanha o festival desde 1999, diz que às vezes tinha que fazer uma pausa a meio de alguns concertos das primeiras edições e voltava a entrar daí a pouco, tal era o nível de experimentação e improvisação. Às vezes era preciso uma pausa, mas era sempre fascinante e, naquela altura, foi mesmo algo inédito. Esperamos que esta edição também traga essa novidade e fascínio, no sentido de proporcionarmos novas descobertas ao público e de fazer algo inédito. 

O que é que não podemos, de todo, perder nesta edição do Space Festival?
Space Festival: O que não podem mesmo perder é a experiência completa. A experiência do festival não é só a música, mas também as localidades e as salas onde acontece. Somos suspeitos (porque fomos nós a escolher), mas achamos que as salas são muito bonitas. Também foi isso que procurámos valorizar nesta edição: salas ótimas espalhadas pelo país, algumas sem programação regular. O Space Festival é, acima de tudo, sobre isso: valorizar o que estes territórios já têm para nos dar. Além das salas, há passeios ótimos que se podem fazer nestes locais: passear à beira-mar em Caminha, passear à beira-rio em Paredes de Coura, aproveitar os novos passadiços de Monção, onde também se faz um ótimo passeio à beira-rio… Cada local tem a sua particularidade. Além da música, achamos que essa é definitivamente a experiência a não perder. Depois, a nível de concertos, achamos que é mesmo de destacar a modalidade da sessão dupla, onde comprando um único bilhete é possível ver dois concertos muito distintos. Para destacar algo mais específico, achamos que são de destacar dois momentos em que o Space Ensemble está envolvido: 

  • O espetáculo com a comunidade Minho Coura Lima sobre alguns dos territórios por onde passa o festival, desenvolvido com grupos locais, e acreditamos que vai ser um momento muito bonito, que podem ver em Paredes de Coura (5 de novembro, 21h30), Ponte de Lima (6 de novembro, 16h) e Monção (21h30). 
  • A apresentação do álbum Music For Short Films, que dá origem a um novo espetáculo do Space Ensemble (em estreia no Space Festival) que vai ser apresentado 3 vezes – Paredes de Coura (3 de novembro, 14h), Montemor-o-Velho (11 de novembro, 14h e 22h30) e Caminha (26 de novembro, 21h30) – criando combinações únicas de músicos e filmes a cada apresentação. 

Se vos dermos a seguinte palavra: “Espaço”, quais são as 10 músicas que vos vêm à cabeça?
Space Festival: Deixamos algumas sugestões que vão estar no Space Festival

  1. Space Ensemble – Tsunami
  2. OCENPSIEA – Tens fome, Come um Home
  3. Cintia – mediotedio
  4. Margarida Garcia – Heath
  5. Cody XV – Dark Clouds 
  6. KRAKE – The Cat of Hawthorne Street 
  7. Gustavo Costa – Cummulative Restatement of Viabilities 
  8. The Rite of Trio – Images of control
  9. Vitor Joaquim – O Vale
  10. Vera Morais e Hristo Goleminov – Improvisação live 12º festival Porta Jazz – track de improvisação gravada num concerto no Festival Porta-Jazz, que apesar de não ser uma música mostra bem o que podem ver no Space Festival.

E, que amor é este?
Space Festival: É um amor pela experimentação, a improvisação e pelos encontros bonitos que nos trazem, que nos fazem querer partilhar esta experiência com mais locais, mais salas e mais pessoas.

entrevista realizada por Teresa Montez, via e-mail, em outubro de 2022.

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