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Festival Emergente e o amor ao fazer acontecer

O Festival Emergente acontece nos dias 15 e 16 de Outubro de 2021, no Capitólio, em Lisboa e a menos de um mês deste festival, que nos faz mergulhar no que de bom e mais recente se faz, trocamos algumas ideias e curiosidades com Carlos Gomes.

Olá Carlos. Antes de mais, muito obrigado por teres aceite este convite. Como estás?
Tudo bem, na recta final da produção do Festival Emergente, entusiasmado com a “novidade” de voltarmos a ter uma plateia de pé e a dançar!

Qual é o relacionamento do Carlos com o Emergente? Quero que recues um pouquinho no tempo: conta-nos como é que surgiu este festival e o porquê.
O Festival Emergente é uma das consequências das conversas que eu e o meu filho mais velho, que tem agora 23 anos e é músico, costumávamos ter quando ele vivia comigo. O meu filho estava sempre a bombardear-me com música que ele ouvia, muita da qual música portuguesa, de bandas que ele já conhecia e algumas delas de amigos seus e que eram indiscutivelmente jovens talentos promissores: lembro-me de ele me ter mostrado as primeiras músicas do Luís Veríssimo, do Chinaskee passar lá por casa para ensaiar, ainda muito puto mas claramente um puto com muita vontade de saltar para o palco, de ter ouvido Cave Story pela primeira vez e ter pensado para mim, como é que eu nunca tinha ouvido aquilo, e muito mais música que, de uma forma ou de outra, foi ele que me deu a conhecer. E eu comecei a pensar que devia fazer alguma coisa com aquela informação, com aquele conhecimento, para dar o meu contributo profissional, como produtor de eventos, para o desenvolvimento de todo o talento de uma geração que eu admiro e adoro, talvez por ele, o meu filho, lhe pertencer, mas sobretudo porque acredito imenso nesta malta da geração dele, na forma serena como eles encaram o mundo, menos competitiva e mais cooperante.  Agora já sou eu que mostro e dou a ouvir algumas bandas novas ao meu filho.

No seguimento de tempos mais conturbados, és da opinião que vamos ser consumidos com alguns dos melhores trabalhos algumas vez produzidos na cena da “música independente”, em Portugal, ou qual é a tua visão relativamente ao que está para voltar aos palcos portugueses?
Não tenho quaisquer dúvidas que o que está por vir é ainda melhor do que já temos e do que já foi até agora. De falta de qualidade musical não nos podemos queixar. Para o pequeno país que somos, penso que a quantidade de música de qualidade é mesmo muito elevada. Acho que há muitas e boas razões para isso: o facto de as sonoridades tradicionais ainda estarem muito presentes, a relação privilegiada com alguma da melhor música africana ou de raíz africana, e o facto de o meio ser pequeno, das pessoas se conhecerem todas umas às outras e de os músicos em geral e os jovens músicos em particular se cruzarem imenso, tocarem imenso uns com os outros, em projetos de diversos géneros musicais, o que é uma escola brutal e a melhor escola para qualquer músico, tocar com outros, experimentar, conhecer outras sonoridades, evoluir e transgredir os seus limites.

Tens algum episódio caricato, sobre a produção do festival, que possas partilhar connosco?
Tenho muitos. Na primeira edição tinha muita vontade de trazer algumas bandas espanholas a Portugal e de uma forma bastante espontânea encontrei nas minhas pesquisas uma banda, Tourjets, de Madrid, que adorei logo à primeira audição, descobri o contacto deles e convidei-os para virem tocar a Lisboa, na primeira edição do Emergente. Eles, ao princípio, nem acreditaram!!! Os espanhóis não acreditam por natureza nos portugueses, ah, ah. Ficaram meios incrédulos e desconfiados…acho que só acreditaram que o meu convite era mesmo a sério quando pisaram o palco…e quando a coisa nem lhes correu assim tão bem e tiveram que se confrontar com a realidade, ah, ah! Mas foi um concerto com uma energia especial, os espanhóis a desculparem-se dos problemas que estavam a ter…e tudo a dançar. E nessa edição, no LAV, a excitação e a curtição entre as bandas, lá atrás, nos camarins, às tantas era tal, que eu, talvez por estar mais atento que o resto do público, tipo a zelar e a sofrer com o bebé, comecei a ouvir, no meio do concerto do Filipe Sambado, umas vozes vindas lá de trás e alguém a descer as escadas de acesso ao palco de uma forma que se ouvia o barulho dos sapatos no metal! Tive que ir lá e dizer à malta para se controlar um bocado, mas nem entrei nos camarins para não me assustar, ah, ah!

A edição deste ano do Festival Emergente conta com uma série de bandas que já tivemos o prazer de ver este ano em outros palcos portugueses: Chinaskee, Solar Corona, Bia Maria… o que mais é que não podemos perder?
Começando por Chinaskee, não vai ser um concerto normal de Chinaskee. Vai ser o melhor concerto do Chinaskee até hoje, com a banda dele e todos os convidados do seu último álbum “Bochechas” num palco fantástico, como é o Capitólio. E quem não for…

Solar Corona, não vai ser mais um concerto de Solar Corona, que de resto nunca são iguais, vai ser o concerto do princípio do resto da vida dos Solar Corona em “Rock Band Format”. Um deles vem só de Roterdão, trazido de emergência… ah, ah, e quase tudo vão ser temas novos.

Bia Maria, vai ser um concerto muito especial, mesmo. Vamos ver e ouvir a Bia Maria no seu melhor sendo que um concerto da Bia Maria é sempre muito bom. Mas ao Emergente ela vem apresentar o seu mais recente EP Tradição num formato especial para um concerto único.

O resto é mesmo só ir lá pra ver e ouvir, porque mais de metade são super emergentes e vai ser uma energia muito especial e única, como nós gostamos. Destacar alguém não seria justo, só aproveitei as deixas. Mas também não seria justo não dizer que para além dos 11 projetos Super Emergentes escolhidos através do Open Call e para além dos 3 já citados, contamos ainda com o maravilhoso Caio, um caso que já é sério na música portuguesa, mas que vai tornar-se mais sério ainda, e que também vem tocar material novo. A grande April Marmara, que nós adoramos e já tínhamos querido levar ao Emergente nas edições anteriores, mas por uma razão ou por outra ainda não tinha sido possível; a Sreya que é tipo um amor à primeira vista, ainda emergente e antigo ao mesmo tempo, mas que não nos pareceu desejável convidar o ano passado, porque queríamos dançar com ela e em 2020 não podíamos. E, finalmente, Gator The Alligator, que eu vi em 2019, salvo erro, no último Super Bock em Stock na Estação do Rossio, em condições que não foram as melhores pela necessidade de controlar o som naquela zona residencial, mas mesmo assim deu logo para perceber o potencial que estava ali. Como eles não tiveram a oportunidade de mostrar em Lisboa o seu último álbum, Mythical Super Bubble, vêm agora ao Emergente fazê-lo e é com muito prazer que os recebemos, seguramente para um dos grandes concertos do Festival.

Existe algum detalhe, nesta edição, que gostasses que as pessoas prestassem alguma atenção?
Há muitos… mas gostava especialmente que viessem para as conversas, no Sábado. Para além de 9 grandes pessoas e todas elas com um trabalho incrível em prole da música e dos músicos, vamos ter um grande moderador e instigador, o Luís Masquete, e vamos realmente conversar sobre temas que interessam e que são importantes que os mais novos, desde logo, possam conhecer, questionar, se querem fazer da música a sua vida. O talento e a qualidade musical são seguramente o mais importante, mas conhecer o meio, as pessoas, as oportunidades, os apoios e incentivos que já existem e que podem contribuir para melhor estruturar os seus percursos, é também muito importante. Pelo que gostaria mesmo de convidar os jovens músicos e mesmo aqueles que vão tocar ao festival para, caso não estejam a fazer soundcheck, subirem ao terraço para as conversas emergentes.

Muito obrigado por estes minutinhos connosco.

Antes de nos despedir-mos: que amor é este? É um amor à vitalidade, um amor ao fazer acontecer e um amor a uma geração em que acreditamos e que queremos apoiar na prossecução dos seus sonhos, dos seus talentos e dos seus objetivos.

Entrevista com Carlos Gomes, fundador do Festival Emergente, acerca da 3ªedição do festival a decorrer nos dias 15 e 16 de Outubro de 2021, no Capitólio, em Lisboa.
Texto e Edição: Teresa Montez
@queamoreeste 2021

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