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A Oficina enche Guimarães de arte, inspiração e beleza durante os próximos meses

Desfile da nova programação d’A Oficina inicia-se com a energia das artes a encher Guimarães de inspiração e beleza

As novidades da programação da cooperativa cultural A Oficina, em Guimarães, irão dar vida e convidar à participação de público e artistas na festa das artes que ao longo dos próximos meses de setembro a dezembro preenche o Centro Cultural Vila Flor (CCVF), o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), a Casa da Memória de Guimarães (CDMG) e a Loja Oficina (LO), bem como o Centro de Criação de Candoso (CCC) e o Espaço Oficina (EO). Um leque multidisciplinar de atividades artísticas que surgem na forma de concertos, performances, conferências, exposições, oficinas, visitas, formações, abrem espaço para um renovado e fortalecido contacto com artes como a música, o teatro, a dança, as artes visuais, o artesanato ou o cinema, gerando um ecossistema que se transforma num ponto de início de uma nova trilha cultural que nos liga ao mundo e a tudo o que na arte está por vir. 

As portas da nova programação abrem-se ao som da música já no início deste mês com a 14ª edição do Manta a marcar a rentrée d’A Oficina a 10 e 11 de setembro no Centro Cultural Vila Flor (CCVF), num contacto particularmente estimulante com a música de autor em que Sílvia Pérez Cruz e Mallu Magalhães revelam ao vivo as suas mais recentes criações – “Farsa (género impossível)” e “Esperança”, respetivamente, bem como com o coletivo formado por Afonso CabralFrancisca CortesãoInês Sousa e Sérgio Nascimento que nos traz um projeto inédito dedicado aos mais novos, comentado ao vivo pela autora Isabel Minhós Martins. Os concertos decorrem na sexta às 21h30 e no sábado às 15h30 e 21h30. A entrada é gratuita e até ao limite da lotação do espaço, sendo os ingressos disponibilizados (no máximo de 2 bilhetes por pessoa) na bilheteira do CCVF, três horas antes do início de cada concerto.

A programação prossegue o seu rumo no CCVF logo no dia 17 para celebrar o 16º aniversário deste espaço cultural que desde 2015 é casa para as mais diversas expressões artísticas, convidando desde então ao encontro entre público e artistas. Estes 16 anos e atividade regular e ininterrupta são assinalados com “Please Please Please”, espetáculo resultante da colaboração entre a coreógrafa hispano-suíça La Ribot, a coreógrafa francesa Mathilde Monnier e o encenador português Tiago Rodrigues, com apresentação às 19h30 no Grande Auditório do CCVF, sendo a entrada gratuita até ao limite da presente lotação da sala, com o levantamento de bilhetes (máximo de 2 por pessoa) a ser realizado na bilheteira do CCVF a partir das 16h30 do próprio dia.

Ao longo dos próximos meses, o CCVF será igualmente casa e palco para muitas outras propostas que tocam o teatro, a música, a dança e diversos saberes artísticos. O teatro surge em vários planos como a estreia da mais recente coprodução do Teatro Oficina e da Amarelo Silvestre“1/2 Kg de Carne” (8 e 9 outubro), um espetáculo criado a partir do território, que conta com a interpretação do “Gangue” de Guimarães e outro “Gangue” de Canas de Senhorim. O mesmo fim de semana é também marcado pela estreia de “(In)Comum” da autoria de Manuela Ferreira. Igualmente no âmbito do teatro, surgirão neste palco criações de Albano Jerónimo (“Orlando”, 4 dezembro) e Sara Barros Leitão (“Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa”, 10 e 11 dezembro).

Antes disso, as cortinas do CCVF abrem-se para a MAT – Mostra de Amadores de Teatro entrar em cena a 22, 23 e 24 de outubro. As portas do teatro também se voltam a abrir no Espaço Oficina (EO) para mais uma temporada das Oficinas do Teatro Oficina, convidando crianças, adolescentes e adultos a participar nesta experiência teatral, transformadora para muitos, e que neste ano letivo volta a integrar o projeto “PANOS – palcos novos palavras novas” (desenvolvido durante doze anos pela Culturgest e agora organizado pelo Teatro Nacional D. Maria II), cruzando assim o teatro escolar e juvenil com as novas dramaturgias.

No capítulo da música, por aqui a viagem faz-se na companhia da pianista e compositora Joana Gama (10 outubro), de Manel Cruz (16 outubro) com “Vida Nova” – o novo disco do ex-vocalista dos Ornatos Violeta, Pluto, Foge Foge Bandido e Supernada –, da banda barcelense Glockenwise (29 outubro), do regresso a Portugal de Alice Phoebe Lou (30 out) e de Nádia Schilling (26 novembro) com o seu novo álbum “Flaws and Riddles”.

Um incontornável destaque vai para a 30ª edição do Guimarães Jazz, festival que nos vai reter as atenções de 11 a 20 novembro ao confrontar-nos com nomes que orbitam o mundo do jazz europeu e mundial, contemplando cruzamentos intergeracionais e de estéticas, entre os quais o pianista Vijay Iyer, o guitarrista Marc Ducret, o contrabaixista Chris Lightcap ou o baterista Gerry Hemingway, bem como Tony Malaby ou Chris Cheek e do Black Art Jazz Collective, um grupo constituído por instrumentistas de renome, entre eles o saxofonista Wayne Escoffery e o trompetista Jeremy Pelt. No âmbito dos espetáculos de grande perfil apresentar-se-ão também concertos do quarteto do saxofonista porto-riquenho Miguel Zenón, dois dos projetos colaborativos do festival – o já tradicional concerto da Big Band da ESMAE, este ano dirigida pelo compositor e arranjador Ryan Cohan, e a nova edição da parceria com a Orquestra de Guimarães, desta vez em conjunto com Niels Klein Trio – e a prestigiada Frankfurt Radio Big Band, que regressa a Guimarães para um concerto dirigido pelo reputado diretor musical e arranjador Jim McNeely e em colaboração com a saxofonista chilena Melissa Aldana.

A dança marca presença indiscreta no CCVF com a estreia de “Segunda 2” de Paulo Ribeiro a 15 de outubro, numa relação com o tempo que o próprio coreógrafo e bailarino aqui reflete e exterioriza, assente em vinte e seis anos de criações. Precisamente nessa altura, foi criada a primeira peça da Companhia Paulo Ribeiro, “Sábado 2”, em tempos em que o próprio criador acreditava que tudo seria possível. Já o momento atual obriga a algum balanço, com a dança a continuar num lugar confinado, mas “na próxima segunda tudo vai mudar, se não for na próxima será na outra, ou na seguinte, e para isso acontecer, vamos continuar a desafiarmo-nos, a brincar, a provocar e exorcizar a falha. Vamos ser singulares e colectivos. Vamos reencontrar a festa. Vamos reencontrar o corpo. Vamos continuar a dançar.”, expõe Paulo Ribeiro. Destaque também para “O Anel do Unicórnio, Uma ópera em miniatura” (27 novembro), de Ana LázaroMartim Sousa Tavares e Ricardo Neves-Neves, uma ópera para a infância e juventude e para o jogo-oficina encenada “Scriptorium Móvel – Jogo dos Gabinetes” (31 outubro), de João Lizardo.

Na Loja Oficina (LO), a programação arranca com uma visita-conversa encerramento da exposição “Ainda há Beleza” (2 outubro), de Maria Carvalho, marcada pelo cruzamento das artes cerâmicas com vários tipos de rendas e bordados, entre eles o Bordado de Guimarães. Uma das novidades da LO surge a 30 de outubro com a apresentação do espaço MICA (do latim micare, o m. q. brilho), que convida artesãos, artistas e designers a desenvolverem um programa de mudança e intervenção criativa no artesanato local, sob a forma de ateliê expositivo. Outra novidade superlativa é a apresentação do Centro de Estudos Alberto Sampaio, projeto que dá maior visibilidade ao legado de um dos homens fundamentais do século XIX na cidade berço (n. 1841 – f. 1908) e que continua a inspirar as novas gerações de estudiosos em múltiplas áreas do saber a partir deste que foi o local do seu nascimento, o edifício onde se encontra atualmente a Loja Oficina.

Neste mesmo local, o dia 8 de dezembro assinala a nova exposição “Fazeres de Amor”, de Cristina Vilarinho e Alberto Azevedo, caras do Projeto A2, um ateliê de fazedores inquietos, partilhado por artistas, artífices, designers. Esta exposição é o reflexo da vontade de ambos de preservarem as artes e ofícios tradicionais vimaranenses, incorporando técnicas e modos de fazer ancestrais dentro de um pensamento interdisciplinar, reinventando e redesenhando objetos.

Passando para um outro ponto nevrálgico da atuação d’A Oficina, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) inaugura no dia 2 de outubro o 2º ciclo de exposições de 2021, apresentando um conjunto de novas exposições que têm como fio condutor a imaginação que regenera o real, pensado o museu como fábrica de ficções e narrativas. Reunindo trabalhos de artistas que fazem mover a arte e a história para além dos factos concretos e da mera informação, o novo ciclo aborda a ideia de encantamento e dominação, de lazer e de trabalho, de poesia e ideologia, no contexto do projeto colonial capitalista e da produção do museu.

As novas exposições dão continuidade ao programa artístico “Nas margens da ficção” e têm como protagonistas – para além do artista e colecionador José de Guimarães – propostas artísticas de nomes como Pedro HenriquesVirgínia MotaAna VazRodrigo HernándezPriscila Fernandes, bem como do curador convidado Ángel Calvo Ulloa na exposição coletiva “Complexo Colosso”, que agora convida novos artistas a interpretar os sentidos da insólita estátua colossal que se encontra numa das entradas da cidade de Guimarães, para uma segunda vida desta mostra.

A abertura ao público deste novo ciclo de exposições será acompanhada por um programa de atividades que inclui uma performance do coletivo Pizz Buin, cinema, uma visita orientada e uma visita-conversa. A programação deste espaço dedicado à arte contemporânea e às relações que esta tece com artes de outras épocas e diferentes culturas e geografias, vive também de forma regular através de programas públicos abertos e plurais compostos por visitas, conversas, debates, sessões de cinema e performances.

Para finalizar este texto com aquele que é um excelente ponto de partida para o roteiro proposto pela programação d’A Oficina e por qualquer visita à cidade berço, referência imprescindível à Casa da Memória de Guimarães (CDMG) que regressa à sua programação regular em modo celebratório com Festa na Casa a 25 de setembro, um convite a toda a comunidade para um programa especialmente preparado para todos, com atividades dirigidas a todos os membros da família. Este programa diverso e multidisciplinar inclui oficinas de Serigrafia e de Reciclagem de Plástico, sessão de narração oral com António Fontinha e Raul Pereira, comes e bebes com tradição às mãos do Grupo 25 da Associação de Escoteiros de Portugal, terminando com a música d’O Colecionador de Sons, fruto de um acervo sonoro recolhido pelo território de Guimarães que resulta numa criação artística com composições de música eletrónica contemporânea e não só.

A programação na CDMG prossegue nos próximos meses com atividades variadas, sempre em contacto com a comunidade, onde cabe um percurso (14 a 16 outubro) – intemporal, literário e performativo pelas lojas de comércio tradicional refletido no Catálogo Poético de produtos “únicos” (e outras curiosidades) do Comércio Tradicional de Guimarães, de Marina Palácio –, uma masterclasse (19 outubro) de António Jorge Gonçalves – que através de um livro desafia perspetivas sobre o papel da luz na história das artes visuais (desenho, pintura, fotografia, cinema) – a peça de teatro “Vamos comprar um poeta” (2 a 6 novembro) com encenação de Adriana Campos, as oficinas intituladas “Loja de vender poetas” (4 a 6 novembro) e “Compramos um poeta?” (7 novembro), a sessão de narração oral “O Contador de Histórias” (4 dezembro) e ainda o colóquio “Árvores-Memória” sobre património arbóreo em Portugal com um extenso programa que ocupará os dias 13 e 14 de dezembro. 

 

Este é também o momento para assinalar o lançamento do novo número da revista d’A Oficina sob o mote “Modos de produção cultural – Do pensamento artístico à fruição individual e coletiva”, com participações de Carlos Poças FalcãoEma Pires e Mafalda SalgueiroJosé MarmeleiraPaulo PiresRodrigo AreiasSara Barros Leitão e Virgínia Mota.

A informação mais detalhada alusiva a toda a programação d’A Oficina reservada para os próximos meses já pode ser consultada online em aoficina.pt e nos websites dos vários espaços culturais relacionados, bem como nas respetivas redes sociais.

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