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Por Este Rio Abaixo é (mais uma) prova da enormidade do talento de Pedro Mafama

Que em 2017 Conan Osiris tinha abanado o panorama musical em Portugal era algo que já todos tínhamos como certo. Mas com o passar dos anos começamos a ter cada vez mais noção do quão grande foi esse abanão, principalmente pela quantidade (e qualidade!) dos artistas que começam a surgir e a percorrer o caminho que Conan abriu. Rita Vian, Ana Moura e claro, Pedro Mafama.

 

Depois de ter começado a causar burburinho com os EP´s “Má Fama” (2017) e “Tanto Sal” (2018), a expectativa para um longa duração era grande. E era totalmente justificada.

 

Mafama é futuro e passado. É uma reinvenção visual e musicalmente da nossa identidade, alguém que não tem medo de abanar com os padrões e símbolos pré estabelecidos. E isto sempre com uma qualidade e intensidade que não está ao alcance de muitos.  Tal como ele próprio, este álbum é fado, é kizomba, é kuduro, é hip-hop, Europa, Atlântica e Árabe. Toda uma mescla de coisas que pode parecer estranho, mas que resulta incrivelmente bem, e que como que por magia (que não é, é talento) continua a soar natural e nosso.

Esta mistura de fado com eletrónica começa a ser cada vez mais explorado por vários artistas, mas nenhum o faz como desta forma. A junção perfeita com Pedro da Linha (que por estes dias parece ter o toque de midas, tanta e tamanha é a qualidade que impõe nas colaborações que faz), e as colaborações de peso de nomes como ProfJam, Tristany, Ana Moura e Branko tornam este disco como um dos mais fortes candidatos a DISCO do ANO. Sim, ainda parece muito cedo para colocar o peso desta nomeação, mas a “chapada” que este trabalho nos dá é tão forte que é difícil (talvez impossível) ficar indiferente. Há samples de Michel Giacometti e de Dead Combo, guitarra portuguesa,

Acima falávamos de identidade e de reinvenção visual, é impossível não ficar com isso bem presente na cabeça quando olhamos para este vídeo da fabulosa “Estaleiro”, um dos singles e canções mais fortes do ano.

E sim, é verdade que “Estaleiro” é incontornável, mas há mais 12 canções para ouvir com muita atenção. Até porque a capacidade e o talento como letrista está bem presente aqui (tal como por exemplo em “Andorinhas” da Ana Moura). Destacamos “Contra a Maré”, “Linda Forma de Morrer” e “Que o Céu Não Caia”.  Afinal é possível inovar e criar sem atabalhoar ou estragar os temas.

Não é saudosismo, é um olhar para o futuro sempre com um identidade muito própria. É sedutor, original e promete cravar fundo o seu nome na música portuguesa.

 

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