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“Música de Meias” é uma carta de esperança assinada por Captain Boy

Corre o ano de 2020 , as ruas estão desertas, os bares estão fechados e o nosso corpo, preso em casa, começa a ser um sapato apertado para a alma – que reza por dias em que ondas de sensações, voltem a percorrer cada recanto da nossa pele. Os dias estão maioritariamente cinzentos, mas eis que recebemos “Música de Meias”, uma carta de esperança assinada por Captain Boy.

É preciso entender que somos humanos, somos seres formados por luz e sombra e que, muitas vezes, a solidão pode simbolizar uma oportunidade de cura, auto análise e criatividade sem precedentes e sem comparação – está, assim, dado o mote do EP “Música de Meias”. É no doce compasso, da música “Blackbird in Dry Rose” com o Rapaz Improvisado, que Captain Boy nos convida a entrar neste EP. A cada nota, deste trabalho, mergulhamos na glória que pode ser estar sozinho.

Aprendemos que o ser humano tem a tendência de optar por viver uma versão limitada da vida, em vez de lidar com as suas falhas. Somos seres estranhos que preferem lidar com a infelicidade do que com a incerteza. A solução é sempre a mesma: parar de olhar para o passado e começar a prestar atenção ao futuro. Sem demoras, estamos entregues à primeira metade do disco, quando ouvimos: “vida, sentida, sofres sempre mais…”, numa dualidade vocal. “Corpo de Atleta” apresenta-nos um dedilhar de cordas que faz com que o coração palpite mais depressa e sem aviso, à medida que acompanhamos as vozes de Tyroliro (alter ego de Giliano Boucinha) e Captain Boy.

Claro que quando de futuro falamos, queremos que as boas memórias do passado sejam para ele levadas e é para lá que vamos na história apresentada na interpretação conjunta com a música Yosune. “Southern Skies” é, talvez, a música mais leve deste trabalho, que nos faz perder em pensamentos e abstrair de tudo o que se passa lá fora.

Para concluir esta viagem, sabem quando nos dizem que devemos tirar uma lição de todas as coisas que fazemos? Parece uma filosofia barata, não é? Não é, de todo. “Música de Meias” chega, abraça-nos e vai embora da melhor forma possível. “Rir e Voltar” conta com a contribuição do videógrafo Bruno Carreira e faz-nos querer responder à pergunta: “mas qual é o sentido da vida?”, quase que de imediato. No fundo, é o tipo de pergunta que mascara algumas inseguranças que todos temos. Queremos arranjar um sentido apenas para que todos os nossos sofrimentos valham a pena. A busca pelo sentido da vida transforma-se rapidamente noutra questão: como viver a vida de forma plena, extraindo o melhor dela, obtendo a maior felicidade pessoal e causar o maior impacto positivo possível noutras vidas? Talvez não haja resposta certa, mas é muito provável que possamos encontrar formas de viver melhor através deste caminho. Felicidade, meus amigos, é a única coisa que importa.

Texto por Teresa Montez
Fotografia: Bruno Carreira

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