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Artigos de Opinião

Cubram a Cultura de amor num embrulho de alegria

Talvez seja o efeito de The Stooges – Live at Goose Lake: August 8th 1970 – obrigada, Spotify! – a tocar ou talvez seja o efeito de uma revolta interior que chega a roçar a frustração, mas estou com uma vontade enorme de gritar: a Cultura é segura!

Sou de uma cidade Santa, tão Santa que sempre fez com que implorássemos ao Carmo e à restante trindade por um novo rumo no que toca à cultura. “Não há instituição que olhe para a Cultura como a Diocese.”, ouve-se pelas ruas históricas. Não me quero alongar neste tópico, mas a verdade é que a vida, por cá, nunca foi fácil como uma manhã de domingo. Nesta Era Pandémica pergunto: o que será de nós, sem nós? Sim, parece que voltamos a ser levados.

Se em outros setores o investimento reduziu, em nós, parou – por conta de uma austeridade obrigatória que propaga o fluxo de ideias inovadoras, mas quando o uso da palavra “cultura” é vocalizado, sente-se um recolher da reconstrução económica. A segurança é importante e todos precisamos de ter consciência dela, é certo, e nos dias que correm todo o cuidado é pouco, mas cuidar não é matar todo um setor tão rico e importante.

Tenho a certeza que não sou a única a sentir uma vontade enorme de quebrar esta corrente, que nos parece prender a um departamento que é abafado quando sai às ruas para agitar. Somos muitos, mas poucos parecem ter amplitude vocal suficiente para chegarem a quem precisa de nos ouvir. Queremos discutir ideias com interessados e interessantes. Queremos cruzar caminhos. Precisamos de ação.

Queremos começar uma rebelião!

Nada desta revolta é em demasia e, para tal, precisamos de reforçar a ideia de que “A Cultura é Segura!”. Está pronta para vos receber, está segura e está espalhada por todo o país, cumprindo com o máximo rigor todas as regras estabelecidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e, dessa forma, provar que é possível manter a atividade e a segurança de todos, dentro do atual quadro em que vivemos. Todos queremos e se querem interligar, voltando às experiências, espetáculos, workshops, exposições e sobretudo aos sentimentos que têm para se fazerem ouvir, quer através do uso de máscaras, quer através de circulações obrigatórias ou até mesmo com alterações de horários. Não desperdicem esta oportunidade. Lembrem-se que cumprindo as regras, voltando à compra de bilhetes, voltando às salas de espétaculos e a museus estarão a garantir que o setor, que mais momentos tem para vos marcar, continua vivo e com saúde suficiente para durar longos e vários anos.

Se existe alguma coisa que esta era nos trouxe foi o lembrete da fragilidade do setor cultural e a importância de passar a mensagem, ironicamente, de boca em boca para que consigamos preservar um circuito que funciona com orçamentos muito limitados e que emprega várias pessoas, muitas delas famílias, dentro e fora de palcos. A cultura tem aquele poder fantástico de renovar modelos, juízos e criar novos conceitos – não a deixem morrer.

Texto por: Teresa Montez
Imagens: Pexels

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