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Os loops criativos de H0b0

H0b0 é o alter ego de Rolando Babo, responsável pelas canções de Bearbug e um dos músicos mais interessantes nesta nova fornada de artistas da música portuguesa mais alternativa.

redo” o ep de estreia, chegou-nos com o selo de qualidade da Chilli Pepper Fields e é bem o espelho da criatividade e irreverência do artista amarantino. Completamente fora do normal, este EP é composto por 17 loops perfeitos. O que significa que podemos ouvir cada uma das faixas as vezes que quisermos sem ela se esgotar. E podemos garantir que vão ser bastantes.

Cada loop é rico e denso, cheio de camadas e feito para nos transportar para uma realidade paralela, para um mundo que H0b0 abre de cada vez que trocamos de loop. Divagamos em cada um deles pelo seu imaginário sonoro e perspetivas sobre a vida.

Ficaram curiosos? Trocamos dois dedos de conversa com o Rolando sobre este novo projeto e ficamos a saber um pouco mais sobre “redo”.

De onde surge a necessidade do alter-ego h0b0?

h0b0 surgiu em 2017 como um escape a outro projecto.

Um espaço onde pudesse ser e fazer sem me preocupar com sentidos, se era o mais representativo do que sou, se as melodias eram o “tipo” que fazia.

Um recreio para me divertir a explorar e criar música, sem pensar propriamente qual a finalidade.

Começou por ser um projecto revivalista da electrónica dos anos 80 (com timbalões à Phill Collins, melodias divertidas mas de gosto duvidoso) e foi-se mutando àquilo que eu quisesse experimentar. Na altura em que comecei a fazer as músicas que compõem o “redo” pensei que h0b0 era tudo aquilo que eu quisesse fazer. Uma forma onde me posso expandir e alinhar o meu estado na música. O gosto pelo fazer e o tentar assumir a leveza de criar e partilhar.

Porquê loops e não músicas completas? (ou algo mais “tradicional”)

Desde sempre que tive alguma dificuldade em escrever músicas que cumpram os requisitos de duração tradicionais. Surge uma ideia na guitarra, encontro uma melodia e uma letra que canalizem a mensagem que quero passar e depois dessa mensagem ter sido entregue, não sinto necessidade de acrescentar partes para ter uma estrutura mais tradicional.

Há coisas que se ganham nas estruturas existentes, mas também se corre o risco de ter partes cuja única intenção é ter a duração “certa” e que pouco acrescentam à “história”.

Estes loops são pequenas mensagens para mim e para pessoas que fazem parte da minha vida.

Aceitar que a intenção também é válida.

E admito que gosto do conceito que acabou por ser criado.

Se gostares muito de uma música podes ouvi-la vezes sem conta ou se preferires podes deixar seguir e aproveitar a viagem.

De onde surgiu a inspiração?

Depois da tour de apresentação ter sido cancelada fui obrigado a repensar os meus planos.

A ideia era ir trabalhando no liveset e melhorando os detalhes a cada concerto. Depois disso sair da equação acabei por ficar sem vontade de trabalhar no que já existia e de continuar a fazer música assumidamente electrónica.

Tentei quebrar com as ideias que já tinha convencionadas do que h0b0 poderia ser.

Pegar na guitarra e todos os dias gravar alguma base nova.

Com o passar do tempo fui-me divertindo a fazer estes loops que ia ouvindo sem parar enquanto trabalhava. Foi uma fase de muito questionamento, de incertezas e seguranças, de gosto e insatisfação. A inspiração foi tudo isso. Das novas perspectivas, da vontade de renovar o que fazia, de aceitar aquilo que faço como válido e legítimo, de me descobrir e descobrir-me pelos outros.

Há muito tempo que tenho vindo a tentar alguma coisa, mas também há muito tempo que acabo por me “sabotar”. O redo é assumir que é para começar a tirar as coisas da cabeça e do portátil e partilhar um bocado do mundo que vou criando.

Esta quarentena e tempo mais isolado que vivemos, influenciou de alguma forma o teu processo criativo e a necessidade de por cá fora mais coisas?

Acho que numa fase inicial, a quarentena acentuou a ideia de que é preciso ser produtivo.

Mesmo num período novo de pausa, quebra e necessária adaptação o foco continuava a ser o mostrar resultados. Por um lado é bom, porque empurra-te para fazer. Por outro não te deixa ajustar a um cenário diferente. Com o desenrolar da quarentena apercebi-me que é a consistência e o respeitar do compromisso de aparecer para ti todos os dias que eventualmente traz resultados.

Tudo é mais mutável do que uma pessoa se apercebe; cada fase na vida é a suposta e essa eventualmente também se vai transformar.

Aceitar o que cada uma traz consigo e fazer o melhor que se sabe e consegue.

Sempre tive alguma dificuldade em mostrar o que faço por motivos já enraizados que nem sempre percebo, mas ultimamente tenho tentado aceitar que não é por este detalhe ou aquela voz que podia estar mais baixa ou aquela música que podia ser mais limpa que as coisas se vão desenrolar de maneira diferente. É bom pensar as coisas, importante é fazê-las.

Se há alguma coisa que faço e que pode trazer alguma coisa de bom ao dia de quem me rodeia, cabe-me, no mínimo, tentar.

Aceitar o valor da partilha.

Mais sobre o H0b0:

Site: https://h0b0.me/

Bandcamp: https://h0b0.bandcamp.com/

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