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Vagabon, há um 1 ano a riscar o mesmo CD…

Passado quanto tempo deixa de ser considerado saudável ouvir o mesmo CD over and over again? É que estamos há demasiado tempo mesmerizados em Vagabon, o segundo álbum homónimo da artista camaronesa-americana.

Laetitia Tamko, mais conhecida pelo nome artístico de Vagabon, é uma multi-instrumentista, cantora, compositora e produtora musical autodidata camaronesa-americana.  Deu-se oficialmente a conhecer ao mundo em 2017, com o seu disco de estreia Infinite Worlds e nele deu cartas suficientes para se afirmar no subgénero indie rock. Ao ponto de abrir para Courtney Barnett, na sua tour pela América do Norte em 2018.

Ao contrário do seu primeiro trabalho, este segundo álbum homónimo é auto-produzido e explora novos sons, fugindo do subgénero indie. Lançado há praticamente um ano, é daquele tipo de CD’s que não enjoa (mesmo) de ouvir vezes sem conta. Possui sons digitais e cordas de sintetizador ao lado de um delicado violão. E a maioria das músicas é escrita e tocada pela própria artista. Na sua canção Every Woman  que é em si, um manifesto feminista, explica-nos:

We reserve the right to be full when we’re on our own. No, I’m not alone.

Este olho para a dinâmica social adiciona bordas nítidas a um disco sensível. Pelos 10 temas que completam esta obra, são abordadas várias temáticas: desde o femismo, à introespeção, ao típico amor e desamor e até mesmo à politica. Em Wits About You, ela rejeita um partido que “won’t let my people in” e declara que construirá as suas próprias instituições. Parece ter bem assente a noção que a abertura política perante minorias, não é garantia de total aceitação, inclusivé canta: “You know me when it serves you to tell everyone”.

Mas a cereja no topo do bolo é Water Me Down. 

É uma canção totalmente introespectiva e de desilusão. É totalmente pessoal.  É totalmente incrível. É um aperto no coração, ao mesmo tempo que dá vontade de atirar os braços no ar, fechar os olhos e rodopiar de sorriso de orelha a orelha. É feliz e melancólica. Triste mas dançável. Enfim, é toda uma bipolaridade de sentimentos entre letra e melodia.

Tamko mudou o nome do álbum à última da hora de All the Women in Me para Vagabon – implicando que a sua arte é multifacetada e deve ser interpretada como tal.  Contudo, esta obra também representa um movimento além da cena indie-rock, a mudança no som é uma espécie de “rejeição de ser rotulada.” Conseguiu isso de forma notável, sem dúvida!

Disco da Semana – Que Amor É Este
Álbum: Vagabon
Artista: Vagabon
Editora: Nonesuch, 2019

Texto: Ana Duarte

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